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Eleições: olhando o Brasil de fora

Postado por Maria Alice Campos

3/10/2016 8:38


Crédito: Periferia da Grande São Paulo, vista do alto | Foto: Maria Alice Campos

Por Maria Alice Campos – De Lisboa

Finalizadas as apurações dos votos para as cidades brasileiras, o destaque para a eleição de João Dória para prefeito de São Paulo. Pela primeira, vez desde 1995, São Paulo elege seu prefeito em 1º turno. Vitória do Governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, que defendeu o nome de Dória, contra fortes oposições de membros de seu próprio partido, o PSDB. E se havia alguma dúvida, Geraldo Alckmin é o nome forte para as eleições presidenciais de 2018, quer Serra ou Aécio gostem ou não.

Esta foi considerada uma eleição violenta,  17 Estados  registraram casos de violência contra candidatos, com 28 políticos mortos nos últimos quatro meses.  O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que 150 candidatos foram presos no domingo (2) por práticas ilegais.

A novidade no cenário brasileiro foi além, um país diferente nasce do voto direto para as chamadas “bases eleitorais”. O Partido dos Trabalhadores (PT) amarga uma derrota eleitoral prevista, dado ao índice negativo das notícias sobre corrupção, a redução de mais de metade das prefeituras, inclusive perdendo São Paulo para o PSDB.

O PMDB, partido do atual presidente da república Michel Temer, teve um leve crescimento, mantendo seu Status de partido com maior número de prefeituras e com isso, com maior poder de barganha nas disputas políticas. Talvez por isso o PMDB seja o partido dos vice (Sarney, Franco, Temer). Em termos gerais, me parece que o PMDB continua na mesma.

No Rio de Janeiro, que parte para segundo turno (a segunda volta, como chamamos em Portugal), tem dois candidatos bem diferentes, em ideias e ideais opostos. Vamos ver como o carioca vai reagir.

Há quem diga que os eleitores estão revoltados com “os políticos”, desanimados. Talvez isso justifique o índice de abstenções na média de 18%, sendo que em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo superem estes números. Diz que em São Paulo, para cada 4 pessoas, uma não foi votar.

Então, a curiosidade é ver o que vai acontecer agora, com o fim das eleições de base e o foco nas presidenciais de 2018. O PMDB vai disputar com o PSDB (fortalecido) em pé de igualdade? Dois bicudos se beijam?

E dentro do PSDB, a disputa entre os caciques pode ser um páreo duro? Não consigo ver o Serra abrindo a mão da candidatura para o Alckmin.


entrevista-tvi24_agosto_2*  Historiadora, jornalista, luso-brasileira, especialista em Direito para Comunicação Social pela Universidade de Lisboa, mestranda em Estudos dos Medias e do Jornalismo pela Universidade Nova de Lisboa. É vice-presidente da Frente Nacional pela Valorização das TVs do Campo Público (Frenavatec/Brasil), membro fundadora da Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e Direito à Comunicação na Câmara dos Deputados em Brasília, membro do Observatório Latino-Americano das Indústrias de Conteúdos Digitais (OLAICD), atua na agenda da comunicação como um direito humano e na formação de redes globais de comunicação e cultura da paz.